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domingo, 21 de julho de 2013

SÓ EU E MEUS LIVROS DE HISTÓRIA



Julgar alguém por suas opiniões, pelo seu direcionamento religioso e filosófico, pelo seu estilo e gosto pessoal é um terreno altamente movediço. Geralmente se elogia quem tem posição próxima das nossas e se critica quem se coloca nos lados opostos. Quando se é muito apaixonado por uma idéia e se defende ela enfaticamente, perdendo a autocrítica, muitas vezes é comum que seus partidários considerem os outros como idiotas, atrasados, alienados, fanáticos, imbecis, insensíveis, etc.  Assim é comum que algumas pessoas vivam em guerra constante contra a ideologia antagônica a sua simplesmente partindo para ataque ao adversário.  Isso não é um fenômeno para ignorantes, tem muita gente intelectualizada que vive de xingar seus opositores. Desse modo alguns ateus acham religiosos um bando de idiotas e alguns (muitos) religiosos acham os ateus uns “metidos”, “arrogantes”, “imorais”; direitistas e esquerdistas trocam insultos como “alienado”, “fascista”, “medíocre”; Bocas Pretas e Taboquinhas acusam-se mutuamente de fanáticos e etc.

Nessa troca de acusações muita verdade é dita por ambos os lados, mas o saldo final é de uma desaforada troca de bravatas. Me espanta que muita gente que considero inteligente caindo nesse expediente que em outras épocas também já caí. 

Meu saco pra discutir idéias começou a encher depois de uma discussão no facebook sobre a interferência religiosa na política e nas leis, onde um indivíduo entrecortava sua argumentação (bem coerente por sinal) com insultos gratuitos dirigidos a mim e meus pares (os ateus) como “intolerante”, “totalitário”, “burro”, “estúpido” entre outros. Pra esses tipos de pessoas, que se apegam demais as próprias opiniões a ponto de perder a auto-crítica e o bom senso, não basta argumentar é preciso atacar, humilhar, devassar o adversário. Enfim, o irracionalismo reina soberano.
Mas onde quero chegar é que, apesar de minha crítica ao linguajar agressivo, existe um indivíduo que pode, ao meu ver, ser considerado realmente um idiota no sentido de alguém que renunciou a sua razão na hora de formar suas concepções.  É a figura que defende idéias que o prejudicam, ou prejudicariam caso fossem aplicadas, como se fossem a salvação redentora para combater aquilo que ele considera como mal. Não bastando defender a própria ruína, é comum que surjam “polemistas” que defendam idéias que prejudicariam um grande número de pessoas (das quais ele próprio não estaria excluído).

Assim são os “jovens-conservadores”, os “homossexuais protestantes”, as “feministas católicas”, os “socialistas que votam em oligarquias”, “os democratas militaristas”, os “cientistas criacionistas”, as “mulheres machistas” etc.

Vivemos uma época em que as pessoas lutam apenas por aceitação social, ainda que isso signifique ir contra a sua mais essencial individualidade. A moda não é questionar, a moda agora é aderir, nem que pra isso tenha que se fazer um exercício de argumentação que, na ânsia de harmonizar a necessidade de aceitação pela sociedade com o seu verdadeiro "eu", termina por chegar ao ridículo.

Assim vemos uma juventude que desfruta de uma liberdade jamais imaginada antes simpatizar com ideologias políticas conservadoras e reacionárias (que voltaram a moda com tudo nos últimos anos). Vemos homossexuais tentando aliar sua luta por direitos com uma religiosidade baseada num livro que ordena seu apedrejamento  e os chama de “torpes” (já ví uma parada gay onde se cantou “Faz um milagre em mim” quase como se fizessem para seus algozes um pedido de permissão, ou de desculpas, para existir). Vemos mulheres ditas Católicas defendendo o direito ao aborto (o tal “Católicas pelo direito de decidir”). Temos biólogos, paleontólogos e historiadores que dizem não acreditar na Evolução (mas usam suas graduações e o respeito que elas transmitem para defender idéias sem a menor fundamentação científica). Temos pseudo-intelectuais que dizem que o fascismo era de esquerda e que a ditadura militar salvou o Brasil do comunismo e que naquela época não havia corrupção (precisa comentar?!)

Dois casos cotidianos me chamaram a atenção nos últimos dias. No primeiro uma senhora conhecida minha, costureira, fazia um discurso enquanto conversava com uma amiga no supermercado:

“sabe, eu detesto esse negócio de conselho tutelar. Agora não pode nem dar uma ‘lapadas’ nos meninos mais. Não pode botar eles pra trabalhar, pra ajudar com um dinheirinho nas contas da casa. Fica em casa vagabundando, só vai pra escola e depois não faz mais nada. Depois vira tudo traficante e sai matando por aí”

Depois de ouvir isso comecei a pensar que se a vontade dela fosse aplicada e as crianças pudessem trabalhar independente da idade talvez ela fosse a primeira a perder o emprego. Qual patrão, caso o trabalho infantil fosse legalizado, hesitaria em empregar uma criança, que não tem noção exata do valor do dinheiro e assim poderia trabalhar mais barato, para um trabalho repetitivo e de fácil aprendizagem como costurar e demitir um adulto (talvez ela própria) com uma família para sustentar  só pra aumentar a margem de lucro?
Me arrisco a dizer que a senhora que falou isso não teve uma boa educação escolar nas áreas de sociologia, história, filosofia, etc.,  se teve então resolveu desprezar isso completamente na hora de formar sua opinião. Uma boa aula sobre Revolução Industrial poderia servir, ou não...

Outro caso foi quando vi uma amiga de longa data divulgar no facebook o vídeo “Como ser submissa a uma pessoa omissa” (assista abaixo). Essa amiga é tem formação superior, fala três idiomas, tem leitura e capacidades intelectuais suficientes para saber valorizar a posição que a mulher conquistou na sociedade. Mas ela prefere repercutir um vídeo onde Ana Paula Valadão e outras líderes religiosas femininas ensinam que bom mesmo pra mulher e ser dependente de um homem, que o importante é saber pregar um botão  na camisa do marido, e que se a mulher preferir adiar o casamento para construir uma vida profissional sólida vai acabar casando com um patife aproveitador qualquer.

Depois do minuto 2:30 começa o "espetáculo"
 
Fico pensando se essa minha amiga dá algum valor ao que passaram as primeiras mulheres operárias que iniciaram o processo de emancipação feminina; se compreende a importância da luta das sufragistas dos séculos XIX e XX que lutaram para que ela pudesse votar, se entende o que realmente representou a revolução sexual dos anos 60-70 (que foi algo muito além do campo da sexualidade). Acho que ela deve fazer alguma idéia disso e deve perceber que vive em um momento positivo único para as mulheres na história, mas prefere defender e propagar que o bom mesmo pra mulher é ser escrava do lar, pouco escolarizada e pregadora de botões. Uma boa aula de História talvez fosse útil... ou não!

Diante dessa realidade onde as pessoas vivem numa corda bamba entre serem verdadeiras com si próprias ou terem plena aceitação social fico imaginando se vale a pena ser professor. Numa realidade onde as pessoas tentam harmonizar  o impossível e onde defendem suas idéias na base do ataque ao interlocutor. Onde quase ninguém toma uma posição clara sobre as coisas, e aqueles que tomam o fazem desprezando o conhecimento, a lógica e o bom senso.

Talvez a chave para entender essa época em que vivemos esteja em perceber que ela se pauta num jogo que alia o imediatismo e a ausência de reflexão.  Essa combinação leva populações inteiras a defender idéias que as prejudicam, que historicamente já se mostraram grandes furadas, mas as pessoas continuam a defender e partem ao ataque a quem não se rende a esse prato-feito.

Sinto-me melancólico com isso. Talvez só se venha a conseguir uma tradução mais coerente para os dias atuais daqui a uns 40,50 anos... quem sabe?

Enquanto isso eu fico só com meus livros de História

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Pequeno balanço sobre o blog




Depois de mais de 1 ano de blog atingimos 1.600 acessos. Não é lá grande coisa, blogs de notícias de Santa cruz do Capibaribe atingem essa marca todos os dias mesmo quando não há atualizações, mas é um número razoável para um blog de textos longos e que tenta discutir as coisas indo além da superficialidade que é a marca dos dias atuais. 

As postagens do blog têm em média 25 acessos específicos, algumas um pouco mais, outras bem menos. Apenas duas postagens ultrapassaram a média: a postagem sobre meu saudoso amigo Artur Correia teve 88 visualizações e um texto meu sobre futebol teve 123 visualizações (muito em função do fato de eu ter compartilhado o link na sessão de comentários do blog de CássioZírpoli). Já uma postagem sobre o processo de escolha do adversário de BarackObama nas eleições americanas teve apenas 1 visualização.

Minhas postagens preferidas foram a da disputa televisiva entre Globo e Record, a da questão da arbitragem no Campeonato Pernambucano de2012, a defesa do Pastor Ricardo Gondim e essa última sobre a crise docatolicismo no Ocidente.

Os textos acabam tendo problemas de pontuação bem nítidos, pois publico os textos na forma como eles saem de imediato já que raramente disponho de tempo para revisar criteriosamente a gramática. Desde já, peço desculpas

As últimas postagens do blog, depois que retomei sua escrita, em dezembro de 2012, são bem pesadas, densas, discutem temas bem sérios. O blog tem ganhado uma aparência nitidamente pessimista, mas esses temas são os que me tem inquietado e simplesmente não posso de me furtar de falar sobre eles. Apesar do quase nenhum alcance deste blog ele é, talvez, o único lugar onde posso dissertar sobre esses temas livremente, e como ninguém é obrigado a acessar eu acredito que os poucos leitores deste minúsculo espaço virtual se interessem realmente pelos assuntos.

Mas nas próximas semanas o blog deve se tornar mais leve, falar sobre música (com indicação de discos muito bons mas que são desconhecidos, como já fizemos nas postagens sobre Odair José e RPM), sobre cinema (especialmente documentários), sobre literatura (com indicação e resumos de alguns livros) e sobre futebol, lógico.  Temas mais sérios continuarão sendo tratados, mas terão que dividir espaço com assuntos mais leves.

Aos poucos e fiéis leitores fica meu agradecimento. Aceito sugestões e críticas.
Vamos adiante!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

CRISE NA IGREJA CATÓLICA E AS QUESTÕES SOCIAIS



NOTA: Aviso de antemão que minha opinião é a opinião de um leigo, nesse texto passo apenas minha percepção sobre a suposta crise do catolicismo nas Américas e Europa. Não encarem como um tratado baseado em extensas pesquisas e leituras, pois não é. Se não gostarem da minha opinião comentem rebatendo e instigando um debate.

CRISE NA IGREJA CATÓLICA E AS QUESTÕES SOCIAIS


Perdoem-me o determinismo marxista, mas uma coisa é fato: religiões prosperam e se sustentam enquanto sejam um braço ideológico das elites dominantes, e só. O enraizamento  das crenças religiosas estão ligadas a outros fatores muito mais políticos, sociais e econômicos e não apenas pelo poder de persuasão de suas doutrinas. Na verdade a religião serve como um bom justificador das regras sociais e da diferença de classes. Historicamente quando uma religião se choca com interesses das classes políticas e econômicas dominantes o destino é, quase inevitavelmente, um processo de decadência e perda de influência. Assim foi com a própria Igreja Católica, que ao se tornar entrave ao nascente capitalismo fez com que parte substancial das monarquias e da burguesia européia fosse entusiasta de um novo credo: o protestantismo (que desde o século XVI,época de sua fundação, vem sendo o algoz do catolicismo). Ao desafiar o centralismo dos reis e a força econômica da burguesia a Igreja Católica começou a tomar uns golpes bem pesados.
De lá pra cá a Igreja só perdeu espaço, as sociedades tornaram-se mais laicas, os países católicos capengaram tecnologicamente e a Igreja perdeu fiéis, muitos fiéis. De nada adiantou a Igreja tentar unir o ocidente em sua figura contra o comunismo, de nada adiantou a aliança com as ditaduras militares nas Américas, de nada serviram as TFPs, de nada adiantou a conivência com os regimes fascistas. O fato é que a Igreja Católica vem passando por um processo de perda de poder; um processo que é longo, em respeito a sua grandeza, mas que justamente por isso permite que se faça uma leitura “in loco” deste fenômeno.

É bom deixar claro que a crise da Igreja não se deve aos casos de pedofilia, estes são apenas reflexos da crise que passa a “barca de Pedro”, a questão é bem maior. Se escândalos determinassem por si só a decadência de uma instituição o PT jamais venceria eleições, a Universal não teria um único fiel e a FIFA não existiria mais.

O fato é que a crise da Igreja se torna mais evidente pelo fato de que com a vitória, talvez definitiva, do capitalismo liberal sobre a utopia socialista as elites que se apegavam a Igreja Católica como forma de manter o próprio poder e a coesão social simplesmente passaram a desprezar o poder do Vaticano. No mundo capitalista não há espaço para o comedimento econômico defendido pelos Papas, a lógica do capitalismo é o utilitarismo extremo e isso em todos os campos: nas leis, nas políticas públicas, nas formas de governo, nos planos econômicos, etc., tudo é pensado em garantir mais lucro, competição e em aumentar o abismo econômico entre as classes sociais e entre as nações.

Assim alguns dogmas de fé da Igreja tornam-se obsoletos para o mercado e são considerado um entrave para o sistema capitalista e para o clima de liberdade individual que se implantou no mundo ocidental.  Daí a dinâmica é simples: A Igreja é contra o aborto e a contracepção, mas as grandes nações querem famílias pequenas para gastarem menos com saúde e educação públicas; a Igreja quer limites para a pesquisa científica, o mercado quer que certas pesquisas sejam potencializadas (podem ser lucrativas para a indústria farmacêutica e alimentícia); a Igreja quer comedimento sexual dos mais jovens, o mercado lucra com a sexualidade; a Igreja defende o casamento tradicional, hoje o grupo social que valoriza o casamento são justamente os que são proibidos de casar: os gays.

É esse descompasso que faz com que a Igreja Católica tenha perdido poder nesses anos todos, os escândalos de pedofilia do clero são potencializados porque além de gerarem polêmica e audiência, pela importância milenar do catolicismo, nenhum meio de comunicação mantém laços financeiros relevantes com a Igreja Católica (mídia e jornalismo funcionam mediante dinheiro, ora bolas!)
Casos de escândalos financeiros e sexuais acontecem em todos os credos, afinal líderes religiosos também são pessoas normais e que, vez por outra, dão suas escorregadas. Mas é interessante pensar que, ao menos no Brasil, casos de escândalo sexual entre membros de religiões protestantes e afro-brasileiras é semelhante ao número de casos entre clérigos católicos (basta uma busca no Google pra saber, ou acessar o www.paulopes.com) mas a mídia repercute grandemente os casos que envolvam padres e bispos da Igreja de Roma. A resposta é simples: a Igreja Católica se recusa a dialogar com meios de comunicação privados e seculares, é como se pensasse que todos lhe devem reverência por sua importância histórica, mas a mídia pouco se importa com a História, importa-se com lucro. A Igreja Católica no Brasil resolveu divulgar suas doutrinas e sua visão dos fatos através de redes de TV próprias (Rede Vida, Canção Nova) e todas são retumbantes fracassos de audiência. Enquanto isso as Igrejas Protestantes praticamente garantem o lucro das grandes redes de TV (exceção da Globo) com a compra de horários de TV para pregação.  Assim as redes de TV, menos a Globo, não se interessam em noticiar os escândalos dentro de igrejas evangélicas com a mesma ênfase com que noticia os escândalos da Igreja Católica (já imaginaram quanta grana investem RR Soares, Malafaia e Valdomiro em programas de TV?).

A mídia é impiedosa com aqueles que não a sustentam...

A PUNIÇÃO
Quando se olha algumas das recentes decisões da Igreja fica difícil pensar em uma saída para a crise do catolicismo. A Igreja defende elites que não mais se importam com ela e tomou decisões teológicas e políticas (é sempre bom lembrar que o Vaticano é um Estado) que a afastou das grandes massas populacionais formada pelos mais humildes. O caso da condenação da Teologia da Libertação pela “Congregação para Doutrina da Fé” hoje se reflete na distância que as classes mais humildes alimentam com a Igreja

Talvez um dos movimentos mais interessantes dentro da Igreja Católica nos últimos 50 anos tenha sido a Teologia da Libertação. Muito famosa na América do Sul e Central, a TL pregava uma visão mais social-crítica das palavras de Cristo, defendia que o católico não deveria se prender apenas ao lado metafísico da vida espiritual, mas usar os princípios cristãos, aliados a conhecimentos sociológicos e políticos, para tomar partidos dos mais pobres e oprimidos (como, talvez,  Jesus faria). Assim a Igreja deveria tomar partido em favor dos movimentos sociais por terra, moradia, alimentação e democracia, deveria ser uma força social que lutaria por mudanças sociais positivas para os mais pobres.

Lógico que a tradição elitista da Igreja Católica, bem como o conservadorismo político de João Paulo II (ele uma vítima da ditadura socialista na Polônia), acabou se refletindo na condenação do movimento político-teológico e com a excomunhão de vários de seus líderes, entre eles Leonardo Boff (hoje um “popstar” do pensamento de esquerda). Outros, como Frei Betto, não foram excomungados mas saíram da linha de frente da Igreja no Brasil que mergulhou num profundo conservadorismo (vide as posições da CNBB nos últimos anos sobre alguns temas políticos e ao fato de Frei Betto hoje ser mais considerado mais um “padre petista” do que um “padre católico”).

Assim diante das crises sociais que se seguiram a Igreja ficou do lado dos dominadores que a desprezam, não dos rebelados que lutavam por direitos ou mudanças sociais. A Igreja acompanhou o processo de criminalização dos movimentos sociais promovido nos anos 80 e 90 promovidos pelos grandes países capitalistas e que depois foi exportado para os países pobres, especialmente das Américas do Sul e Central. A condenação da Teologia da Libertação afastou a Igreja dos movimentos sociais e das massas excluídas e a transformou num peso morto nas questões políticas.


Hoje a Europa que passa por profundas crises sociais é o mesmo continente onde as paróquias fecham por falta de fiéis; onde toda uma juventude preocupada por seu futuro, devido a precarização das condições de segurança social no continente, protesta e sai as ruas contra toda uma estrutura de poder e a Igreja em nada pode fazer em favor deles, pois escolheu o lado errado pra apoiar. Esses jovens simplesmente não enxergam  a Igreja como aliada nas suas lutas. Ao condenar movimentos que usavam o cristianismo como forma de questionamento social a Igreja Católica afastou os jovens politizados e perdeu a chance de ser um moderador que poderia conter a fúria que hoje varre as ruas da Europa.

A falta de coragem em tomar partido em favor dos mais fracos, como Cristo faria (eu acho), fez a Igreja perder  contato com aqueles que vivem a realidade na prática.

SOBRE A RENÚNCIA DE BENTO XVI
O irônico é que a crise entre a Igreja e a sociedade, que hoje explodiu nas mãos de Bento XVI, tenha um pouco de culpa do próprio Ratzinger. Ele mesmo comandou o processo de condenação da Teologia da Libertação em 1984 e 1986, e hoje se diz fragilizado em sua saúde para cuidar da Igreja frente aos “enormes desafios de um mundo em transformação”. 

Talvez fosse mais fácil, mas não dá pra consertar certas coisas do passado.

domingo, 30 de dezembro de 2012

COMO ELE FOI ELEITO? (impressões sobre como um desastre anunciado não pôde ser evitado)



Nota 1:  esse texto, assim como todos os textos deste blog, é escrito de uma única tacada, sem muito refino ou revisão. Escrevo da maneira como a idéia sai na hora pois não disponho de muito tempo para editar e corrigir, daí então ser comum que existam pequenos erros de pontuação, repetição desnecessária de palavra.

Nota2: meu blog não tem a mínima pretensão de ser científico, é só uma tribuna onde prego no deserto as minhas idéias. Apesar de que em alguns textos meus há uma clara influência dos livros que li em minha vida acadêmica, eles (os textos)são opiniões particulares não devendo ser confundidos com artigos de ordem científica,ou verdades pretensamente absolutas. A enorme introdução que pretendo fazer é baseada em algumas leituras estudos que vivi, mas não está sistematizada a ponto de ser chamada de “científica”.

Nota3: a intenção do blog não é insultar ninguém, mas promover uma discussão para aqueles que se aventurarem em ler o texto. Interpretações equivocadas não são culpa minha.



COMO ELE FOI ELEITO? 

O maior choque de realidade que a política me impôs foi a vitória esmagadora de Toinho do Pará para a prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe em 2008. Pela primeira vez fiquei realmente afetado com o resultado de uma eleição, passei a pensar sobre o impacto social da democracia e a maneira como o cidadão comum maneja em sua cabeça o que é a política.

Para entender o que quis expressar no parágrafo acima é importante tomar nota de algumas considerações:

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS

É comum que grupos detentores de alguma forma de poder ou de conhecimento específico demarquem um “limite de atuação” claro que impeça membros de outros grupos de estabelecer uma crítica consistente sobre eles. É uma estratégia interessante no sentido que agrega valor aos membros deste determinado grupo, uma vez que pessoas de fora que venham a depender deste poder ou conhecimento estão em situação de total vulnerabilidade aos detentores deste mesmo conhecimento. Em outras palavras podemos dizer, a título de exemplo, que é como se um grupo social transformasse seus saberes  em algo indecifrável para aqueles não fazem parte do meio, e caso estes venham a precisar destes conhecimentos entram nestes espaços determinados em posição de quase completa subserviência e dependência, tornando-se vulneráveis as vontades daqueles que dominam tais práticas.

A estratégia consiste então em transformar certos conhecimentos em linguagens que seriam indecifráveis pelo cidadão comum. A intenção é fazer claramente com que ele não entenda como se tramitam e resolvem as questões relativas a esses saberes específicos, tornado se assim, caso necessite utilizar destes conhecimentos, em uma figura que entra nessas questões em total espaço de subserviência e dependência. Isso agrega valor aos membros deste grupo. É como se a ética dos mágicos, que guardam a sete chaves os segredos da sua profissão, fosse vivenciada por quase todos os grupos sociais estabelecidos e percebidos como tais. Advogados guardarão para si e seus pares os segredos do Direito, médicos também farão o mesmo em suas áreas de atuação, assim como se sucede com acadêmicos em geral, professores, economistas, entre muitos outros e, é lógico, os políticos.
Sem entender como se tramitam e resolvem as questões relativas a esses grupos, o indivíduo médio torna-se, caso venha a necessitar de algum destes conhecimentos, em uma vítima indefesa dos membros destes grupos.
Para exemplificar o que citei acima é só pensar que a linguagem utilizada por advogados, juízes e economistas, bem como as regras de atuação específicas a esses segmentos são indecifráveis para um leigo, tornando quase impossível que este possa entender por simples associação de idéias os temas tratados pelos membros destes grupos. Qualquer um que conversa com advogados ou economistas, só pra ficar em dois exemplos, entende pouca coisa sobre o que falam esses dois profissionais devido estes saberes serem dotados de uma linguagem específica feita para serem dominadas exclusivamente por seus membros, não pela pessoa comum. Assim aqueles que necessitarem da atuação destes profissionais tornam-se quase que reféns deles.

É importante lembrar que dentro destes grupos detentores de um conhecimento específico existem vários pontos de vista, disputas ideológicas, discordâncias e rivalidades por vezes extremas, mas essa linguagem (que é adotada por todos os membros numa clara ação corporativa conjunta) faz com esse grupo pareça coeso e detentor de uma verdade única das quais os não-membros são dependentes.

Calma que vamos chegar em Toinho, paciência...

A classe política também se encaixa nesse conceito de expressei anteriormente. Alguns podem discordar e dizer que os políticos não são um “grupo social específico” uma vez que os que ocupam os cargos são representantes de segmentos sociais por vezes antagônicos, que não caíram de pára-quedas cargos que ocupam pois para isso antes tiveram que ser eleitos pelo voto, ou que a política numa democracia representativa é expressão maior da vontade do povo. Tudo isso são balelas. A classe política se reconhece como tal e, a despeito de suas infinitas diferenças ideológicas internas, cria toda uma blindagem para sua atuação através da elaboração de uma linguagem específica e de toda uma série de trâmites que impeçam o cidadão comum de discutir de forma coerente a ação dos poderes políticos instituídos. A ação parlamentar, o texto das leis, o tecnicismo das falas, entre outras estratégias, são formas de impedir esse homo vulgaris em ter uma inserção autônoma no espaço da política.

Mas a classe dos políticos até pode criar maneiras de impedir um conhecimento profundo da política, mas não pode impedir as populações (essas massas supostamente “incultas’) de criar seus próprios sentidos para a política, assim como criam seus próprios sentidos para outras coisas. 

Num contexto onde a política é feita justamente para que as pessoas não entendem, mas onde, paradoxalmente, elas são obrigadas por lei a participar não há como impedir que as populações driblem essas proibições não declaradas e reinventem para si próprias o sentido da política. Ao criar um sentido particular para o poder e para a política a “plebe rude” força os poderes políticos a cortejá-la, a seduzi-la, a referendar valores que são aceitos por ela ainda que esses nada tenham a ver com  a vida política, a ação legislativa ou a administração pública (pelo menos não imediatamente). 

Um grupo político, ou um político capaz de perceber e criar uma imagem pública que esteja de acordo os simbolismos depositado pelas massas na política, tem o sucesso eleitoral quase garantido.Por isso os partidos e candidatos gastam quase nenhum tempo no debete político propriamente dito e investem muito mais na criação de uma imagem identificada com os valores socialmente aceitos. É daí que começo minhas conjecturas sobre como um completo idiota, um desastre anunciado como Toinho do Pará foi eleito prefeito de Santa Cruz do Capibaribe.

A TRAJETÓRIA ATÉ O DESASTRE

Os “taboquinhas” chegaram ao poder em 2000 já se mostrando mais sintonizados na arte de manipular esses sentimentos populares sobre a política. Não que tenha sido apenas por isso, existem méritos políticos claros na vitória taboquinha em 2000, mas desde ali o grupo liderado por José Augusto Maia já sabia como seduzir as massas ao captar a maneira sub-reptícia como o povo reinventa a política. Enquanto os “bocas-pretas” apelavam ao tradicionalismo e ao partidarismo, José Augusto (que tinha Toinho do Pará por seu vice) apelava  uma suposta luta contra os poderosos, contra os ricos insensíveis com as necessidades dos pobres, com aqueles que supostamente usariam o poder para promover apenas sua riqueza pessoal. A vitória nas urnas em 2000 serviu para carimbar de vez um estigma sobre os adversários como atrasados, elitistas, anti-povo, esnobes, etc.

Para se entender como esse discurso, essa  estratégia foi eficiente é só pensar em Santa Cruz do Capibaribe como uma cidade industrial que se formou a partir da exploração de mão-de-obra barata, sem garantias trabalhistas, onde as margens de lucros dos patrões eram altas (pelo menos na época da explosão da confecção por aqui), onde devido a altíssima sonegação de impostos o poder público não tinha recursos para estruturar a cidade, e onde as elites e famílias tradicionais se engalfinhavam pela posse do poder. Santa Cruz cresceu então com uma elite pouco escolarizada, espalhafatosa, exibicionista, e incapaz de pensar algum projeto coletivo para a cidade. Lutar pelo poder sempre foi uma forma das famílias conseguirem mais estatus e benefícios; mas dividir com as pessoas? Ah, você deve estar brincando... Ao povo restava trabalhar pesado e buscar ascender socialmente numa cidade que vendia a ilusão de que pra ficar rico bastava querer. O fato é que se criou uma grande massa de trabalhadores que ralavam muito  e iam sobrevivendo (em condições  muito melhores do que em grande parte do Brasil, é verdade) e uma elite cada vez mais esnobe e deslumbrada. 

Não se deve pensar que por serem pouco escolarizadas as classes mais humildes de Santa Cruz do Capibaribe tinham um nível zero de compreensão da sociedade. Provavelmente o homo vulgaris santacruzense não tem uma visão articulada sobre a realidade, mas a sente a realidade na própria pele, percebe que nos tempos de crise é sobre ele que recaem as demissões, o desemprego, o arroxo de salários enquanto os ricos continuavam mantendo suas riquezas as custas da precarização da vida do cidadão comum. Não precisar ser gênio para perceber a cidade abandonada, sem estrutura mínima. Se não havia articulação política das classes populares para lutar contra esse quadro (talvez devido a baixa escolaridade e a mentalidade individualista da população [isso é só uma hipótese]), havia o sentimento de revolta dentro dos corações e mentes, os taboquinhas apenas o captaram e o usaram para si.

Durante os 8 anos do governo José Augusto a manipulação destes sentimentos se tronou cada vez mais clara, transformada até em canções pelo próprio José Augusto (meu TCC foi sobre o impacto das canções compostas por ele nas eleições entre 1998 e 2004).  Diante dos acertos e erros de seu governo José Augusto Maia passou cada vez mais a imagem (falsa) de que seu governo contava com participação do povo (o que claramente era uma mentira) e de que lutava contra os “poderosos”. 

Esses poderosos não tinham nome, pois, logicamente, esse discurso era uma farsa completa. Durante o governo de José Augusto houve acertos (em quantidade, para sermos justos), mas também se formou nitidamente uma classe de poderosos sob a permissão e supervisão dele e seu grupo político. Surgiram donos de rádios comunitárias (uma clara ilegalidade), a especulação imobiliária atingiu níveis que passam do absurdo, a doação ilegal de terrenos públicos para pessoas ligadas ao grupo político, um show de irregularidades diversas em licitações e até o desvio do FGTS de funcionários públicos municipais (em especial dos professores). Mas com o discurso cristalizado ficava fácil vender a versão de que essas acusações eram ataques dos adversários supostamente com raiva dos “benefícios gerados para o povo”. E tome música chorosa cantada pelo Zé Augusto, tome as rádios vendidas manipulando informações, tome zombaria promovida pelo próprio prefeito e vereadores contra os adversários e por aí vai...

Nesse meio tempo Toinho do Pará elegeu-se duas vezes Deputado Estadual e foi um completo inoperante. Nunca promoveu sequer uma prestação de contas sobre seu mandato parlamentar, ficou na sombra de Zé como sempre fez. Em 2008 chegava a hora de do partido “taboquinha” escolher o novo candidato, e foi Toinho. Do outro lado os “bocas-pretas” vinha passando por mudanças e candidatou-se Edson Vieira, que vinha em franca ascensão política.

Pelo menos 1 ano antes o governo já andava meio mal das pernas, cambaleante financeiramente e a cidade ia tomando ares de abandono, obras inacabadas e o caos no trânsito demonstravam o claro desgaste do governo, que teve inúmeras de suas contas rejeitadas pelo TCE.

O claro desgaste do governo, junto com o frescor da ascensão de Edson Vieira, bem como a postura inoperante de Toinho do Pará como político encheram os “bocas-pretas” de esperança. Edson apostou no fato de aparentar ser mais preparado para exercer o cargo, Toinho apostava em dois golpes que se mostrariam certeiros: o apelo a figura quase mítica de José Augusto na época e nos ressentimentos populares em santa Cruz do povo contra as “elites”.

Toinho deu no decorrer da campanha de 2008 um espetáculo de como não se portar em público. Era uma figura dantesca, de doer na vista e no juízo de quem leva política minimamente a sério. Demonstrava total desconhecimento sobre as atribuições de seu cargo, era incapaz de manter uma idéia coerente caso questionado, repetia a exaustão jargões indicados por seus marketeiros (repetia a palavra “punjante” mesmo quando essa não mais cabia em nada), discursava sofrivelmente e no único debate entre os candidatos deu respostas no nível da idiotice. 

O fato é que justamente esse comportamento de Toinho talvez tenha sido fundamental para ganhar a eleição de forma tão enfática. Os seus traços grosseiros, suas falas desconexas, suas respostas simplórias aproximou ainda mais o eleitorado mais humilde de sua figura. Lembro de ter ouvido da boca do candidato Edson Vieira que havia uma grande dificuldade dele em penetrar nas camadas mais pobres da cidade. Some-se que na época o mito Lula estava no auge,a maioria das pessoas viam nele um exemplo de político que deveria governar. 

O sucesso eleitoral de Lula lançou dentro das cabeças a ilusão de que o bom político não deveria ser um técnico, alguém  com formação acadêmica ou sucesso empresarial, mas sim homens humildes, que supostamente conheceriam a realidade do povo e que por isso supostamente ele saberia encontrar soluções fáceis para os problemas. Alguém que governaria com o coração e simplesmente mudaria o foco da máquina pública em direção a promoção do bem estar dos mais humildes. Vendeu-se a ilusão de que o poder pode ser exercido sem problemas por um mero ato de vontade e que se a origem social de um político é humilde então isso seria um pré-requisito para que ele fosse um bom governante, se o candidato fosse de origem rica ele seria então automaticamente um “inimigo do povo” e só pensaria em beneficiar os ricos.

Toinho se aproveitou muito dessa representação positiva que reinava quanto a sua figura. Escondeu todo seu despreparo no fato de que era um homem do povo, de fala incorreta, mas que sabia o que o povo passava, que seu adversário era um riquinho que estava na política por interesses particulares. E não adiantava tentar explicitar a falta de capacidade de Toinho, isso era interpretado como ataque pessoal e não como uma constatação evidente (o que era de fato). 

Daí seguem-se músicas falando da origem humilde de Toinho do Pará e outras falando que o candidato adversário lavaria as mão com álcool depois de cumprimentar os pobres. Segue-se a dizer que Toinho do Pará nunca estudou mas sempre trabalhou pelo povo (fazendo o que?) enquanto o adversário “comprou anel de doutor”.

Enfim, a antipatia nutrida pela maioria da população humilde contra os ricos mais uma vez se refletiu na política, o candidato adversário passou a representar a elite egoísta formada por patrões mesquinhos. A eleição então se tornou a forma que a população encontro de se vingar desta “elite mesquinha”. Não importa se o seu patrão vota no mesmo candidato que o seu, importa que o candidato dos ricos é o outro e ele deve ser derrotado.

A campanha de Toinho ganhou esse aspecto da mais vil vingança, algo claramente alimentado por ele e seus aliados em canções discursos e etc. O falas das ruas bradavam palavras de zombaria ,vingança e rancor. O nível de revolta era tal que perdeu-se totalmente o que restava de senso crítico quanto ao que era dito em palanques, em um comício o candidato Toinho do Pará chegou a dizer:   O candidato do outro lado diz que é o mais preparado, preparado, que eu saiba, é um prato de cuscuz com sardinha”  (antes que algum desinformado pense que é piada, garanto e tenho como provar com testemunhas, muitas por sinal, que ele disse isso. Essa foi uma das menos horríveis, diga-se). A campanha de Edson Vieira, apelando ao fato dele ser supostamente “o mais preparado” e atrelada a sua falta de carisma, via-se de mãos atadas ante a uma ofensiva tão forte e também que estava em sintonia profunda com os sentimentos que o povo levava para a política naquele momento.

Esse sentimento refletiu-se nas urnas com uma vitória acachapante de Toinho do Pará: 2991 votos de vantagem, até hoje a maior vitória eleitoral nas eleições.
O resultado todo mundo sabe, o governo municipal que já dava claros sinais de desgaste desde 2007 apenas seguiu seu rumo e terminou por desmantelar de vez o município. O governo de Toinho pode ser taxado claramente de desastroso, menos por culpa dele e mais pela herança maldita deixada por seu antecessor. Em quatro anos a prefeitura sucateou todo o maquinário público, transformou a saúde municipal no paraíso das negligências médicas, o que custou algumas vidas, a estrutura da educação foi a um nível desprezível, faltando até água de boa qualidade para os alunos beberem (só não ficou pior pela ação heróica dos professores do município, que seguraram as pontas como dava), apenas na questão dos salários do professores Toinho merece elogios (mas salário, por mais importante que seja, está longe de ser tudo na educação). Isso para não citar desmandos em todas as outras áreas, que se fosse citar aqui o blog não suportaria a quantidade de texto (se é que alguém vai já agüentar ler esse texto enorme que fiz).

Hoje, dia 30/12 é o penúltimo dia desse governo nefasto, que de tão ruim destruiu até a figura do político mais vencedor eleitoralmente em Santa Cruz do Capibaribe, o José Augusto Maia. A derrota do Maia é um castigo justo pelo desmantelamento promovido por ele e seu grupo no município. Não há figura mítica ou heróica que resista a desmandos diversos, como merenda escolar ruim, hospitais sem médicos e remédios, ruas esburacadas, especulação imobiliária, fraudes e rejeição de contas no TCE. Nem mesmo a ação parcial de duas rádios FM puderam salvar o grupo taboquinha e seu semi-deus da derrota eleitoral. Como disse anteriormente neste texto, não é porque a população é pouco escolarizada que não saiba entender a realidade, o erro de José Augusto foi pensar que todo mundo era burro de continuar votando nele e em seus aliados mesmo com desastre em marcha comandado por ele e seus asseclas apenas por que ele um dia se apropriou de um discurso que se mostrou eficiente. Apelou para o ódio, para o rancor e para o preconceito, não teve a hombridade de levantar um debate político sério sobre o município e sua realidade, achou que sempre seria capaz de manipular a todos. Agora vive de mastigar o rancor da derrota, espero que esse seja apenas o início de uma longa derrocada política. Desejo que seus algozes não tenham misericórdia.

Ao grupo vencedor e seu prefeito Edson Vieira prefiro manter um conveniente silêncio. O futuro dirá se eles mereceram a chance que tiveram ou terão que ser esquecidos, mas contam com a minha torcida. Estou claramente otimista.

Desejo a todos um 2013 de paz, alegria e vitórias contra a tirania.